A Dobra foi uma experiência nova para mim.
Um livro vivo, escrito em tempo real, sobre as mudanças drásticas que começaram a operar no planeta desde 3.1.2026.
Quis tratar nestes textos semanais (que mais tarde foram transformados neste ebook), aspectos da nossa condição humana atual, sociedade, cultura e algo que parece estar se moldando em uma nova ordem geopolítica.
Não pretendo entrar em análises do que está acontecendo, considerando que nestes relatos de ficção especulativa com elementos da ficção científica, meu ponto de vista é múltiplo (tempo e espaço são relativos) e habita 2026 assim como 2149. Venha comigo nessa jornada de descoberta e exploração mútuas, onde o conceito da não dualidade está presente como contexto e pano de fundo .
Elias Drummond tem 36 anos, um pai desaparecido e quatorze dias para entender o que está acontecendo com o Brasil antes que alguém decida que ele sabe coisas demais. Ex-funcionário da ONU, especialista em transformar realidade em linguagem palatável, ele descobre que os documentos que circulam pelos corredores do poder não descrevem o futuro, estão autorizando o presente.
Mas o livro tem uma segunda linha temporal. Em 2149, um pesquisador lê os registros que Elias deixou, e à medida que avança nas páginas algo começa a escorregar: sensações que não são suas, memórias de corredores que nunca pisou, a certeza física de já ter lido o que está lendo pela primeira vez. A distância entre os dois vai se fechando até que a pergunta sobre quem escreve e quem lê perde o chão.
A Dobra é um thriller político com algo mais fundo trabalhando por baixo, a percepção de que a separação entre quem age, quem observa e quem registra pode ser a maior ficção de todas.












